sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Preto no branco...
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
VID[A MOR]TE
By Meluseena on deviantART
"Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.
Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão.
Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.
A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.
Respeitarei os segredos a mim confiados.
Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão
médica.
Meus colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.
Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção.
Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.
Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra."
(Juramento de Hipócrates, pai da Medicina)
Quando jurei isso para mim mesma
Aliei-me a Vida
E me indispus com a Morte
Dura batalha travo todos os dias
A Vida é moça faceira
Traços bem feitos
Confiante, empolgada
Sorriso estampado no rosto
Rosada e de olhar brilhante
A morte é mais velha
Igualmente bela
Tem o olhar enviesado
Amassa o canto da boca
Em um trejeito desajeitado
A passos miúdos, claudica.
Todos os dias
As portas se abrem
E se fecham
Para as Vidas
Chega outra Vida ligeira
Tem pressa
Tem todo ar a seu dispor
Mas nada lhe basta a fome
Tem um olhar cristalino
Que agora se turva de dor
Tem um coração pulsante
Que agora se atrapalha na dança
Tem mãos cavadoras de sonhos
Que agora soltam as pás
Tem um corpo que lhe alicerça a essência
Que agora não se firma nas fundações
Tem uma chama que brilha acesa
Que agora se diminui no infinito
Eu corro
Eu penso
Eu rezo
Eu ajo
Eu faço
Eu peço
Eu divido
Eu sinto
Eu tento
Eu repito
Eu repito
Eu repito tudo
Eu não consigo
Eu não consigo
Eu não consigo
E a vida me escorre das mãos
Feito água que corre para o ralo
Por mais rápida que eu seja
Ela escorrega e se vai
Vai-se
E vai
Eu paro
Eu calo
Eu sinto
Nestas horas eu me sinto rasa
Nestas horas eu me sinto pouca
Nestas horas eu me sinto oca
Então, a Morte chega de soslaio
[ela nunca sai de perto]
Só escuto aquele seu andar inconfundível
E ela arranca tudo sem dó nem piedade
Parte sorrateira
Com aquele seu sorrisinho vitorioso
Eu procuro um canto
E, sozinha, choro
[a Morte sempre me faz chorar]
A Vida chega
Senta do meu lado
E chora comigo
[a Vida sempre me dá coragem para continuar]
Eu penso no mundo
Eu penso nos que ficaram
Nos que partiram
Nos meus
Eu penso em mim
Eu penso em Deus
Nesta hora eu me sinto humana
Nesta hora eu me sinto em paz
Eu seco as lágrimas
Eu arregaço as mangas
Eu volto para a guerra
Eu volto
[eu juro]
(Wania)
sábado, 14 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Na ampulheta...
...O Tempo é cruel
[eu não]
Me aprisiona
na sua areia movediça
me debato em vão
e ele sempre me engole
A vida passa lá fora
de braços dados
bate no vidro
se mostra faceira
zombando de mim
E eu?
...O Tempo cura tudo
[eu não]
Sangue estancado
e a dor não passou
...O Tempo esquece tudo
[eu não]
Cutuco a memória
com os alfinetes das lembranças
...O Tempo perdoa tudo
[eu não]
Não perdoo o tempo
que o Tempo roubou de mim!
(Wania)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Blogagem Coletiva "Abre Aspas"
(Love note by Aliize on Deviant ART)
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
(Bilhete de Mário Quintana)
Difícil escolher um poema, entre tantos poetas que eu admiro e gosto, para participar desta Blogagem Coletiva, promovida pela Lunna do Teorias Impossíveis, mas garimpei este, que é um dos meus preferidos!
Por uma Blogosfera mais poética...
Não poderia deixar de mencionar aqui a homenagem que recebi da minha doce amiga Maria Augusta do Côté cour, Côté jardin que escolheu a minha poesia para postar neste dia e que hoje, bem cedinho, tive o prazer de ler!
Amiga, agradeço do fundo da minha Alma todo este carinho. Muito honrada em ser escolhida por ti, uma pessoa dotada de uma imensa sensibilidade poética em tudo que faz e reparte conosco lá no seu cantinho.
Obrigada à Lunna pela oportunidade e à Maria Augusta pela homenagem!
domingo, 8 de novembro de 2009
Figos cristalizados...
Ela faz doce de figo
despeja a tristeza e as frutas
todas no tacho
Raspa a colher de pau em círculos
Com a delicadeza de quem afaga
Voltas e voltas
também dá seu pensamento
o vapor quente que se desprende
é névoa fina embaçando a realidade
no movimento lento
lembra dos corpos fundidos
nas tardes mornas daquele novembro
perfeitas engrenagens
azeitadas em suor e saliva
aumenta o fogo
incendeiam-se
a pele nunca queima
acelera o ritmo
apura o doce
o aroma da fruta se desprende
seu cheiro a beija em silêncio
seus olhos a descascam inteira
sua boca faz trilha nos montes
suas mãos juram-se no infinito
o ponto final se aproxima
mexe o tacho com mais força e rapidez
mais e mais e mais
derretem-se em um só
transbordando-se pelas bordas
apaga o fogo
esfria o tacho
apronta o doce
em finos cristais de açúcar
passa cada figo
cada lembrança
cada arrepio
cada beijo
cada jura
passa também seu coração
cristalizando tudo
nos doces vidros da memória
(Wania)
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Germ[en]inação...
Menina Semente
Dorme serena
Numa almofadinha de algodão
Regada a amor e água
Germina devagarzinho
Primeiro espreguiçam-se uns brotos
Depois se espicham as folhas
Buscando o sol
De cada dia
Cresce, cresce,
Cresce mais que o vaso
Transplanta-se a muda
Canteiro-carinho
Desenvolve-se rápido
Finca-se em raízes
Abraça-se em galhos
Sangra seiva todo mês
Perfuma-se em flores
Veste-se em borboletas
Enfeita-se em pássaros
À espera das mãos de hábil jardineiro
Que respeite as estações
E que a frutifique
Em novas sementes
(Wania)
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
BlogGincana, 2ª tarefa...
Blog Visitado: Ilumine o espaço e o tempo... de Alice Salles
Apaixonada pelo sentir...
Gosta de tudo que tem cor, brilho, luz e cor...
Ama reticências...
e dança com Rimbaud!
Alice Pequenina... em 26.6.09
......
A menina Alice se espanta e volta a pisar com seu pézinho e pensa novamente "porque será que eu sou eu e a minha pele é minha? e se tudo isso é apenas empréstimo que eu não fiz?".
As respostas é que não chegam nunca.
Alice rima com Maluquice...
Alice descobriu que...
“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. (Clarice Lispector)
Alice diz...




