quarta-feira, 14 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Meu querido diário...
Querido diário,
Cansei do cinza.
Além do lápis preto,
trouxe minha caixa de lápis de cor
Por favor, não acorde
as minhas palavras adultas,
hoje vou desenhar...
Uma casa com chaminé e fumacinha,
Margaridas por toda volta,
Ahhh e uma horta...
Eu detesto natureza morta.
Borboletas, joaninhas
e um so[l]rriso imenso,
um cão sem coleira
e um passarinho, a gaiola dispenso.
Uma janela aberta,
uma menina de trança
e um coração cheio de esperança,
Mas como vou desenhar a esperança,
meu querido diário?
Esperança não se desenha
Nem a lápis, nem a pena
Esperança é a borracha
que apaga tudo que estraga a cena!
(Wania)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Autopsia...
Às vezes, eu pego emprestado
Aquela lâmina afiada
Que a vida usa quando ameaçada
E corto suavemente,
Disseco minuciosamente,
Me expondo milimetricamente...
Que esclerosou minhas flores nos vasos?
Quem isquemiou meu coração
acelerando suas batidas com a melodia da ausência?
Quem apedrejou meu rim
para que não depurasse toda mágoa vertida?
Quem seqüestrou meu baço
embaixo do braço?
Quem fechou as portas do meu fígado
para que a saudade pernoitasse?
Quem atelectasiou meus pulmões
para que meus sonhos não se expandissem?
Quem calejou minhas cordas vocais
para impedir que eu acariciasse a raiva?
Quem inundou meu cérebro de sangue
tingindo meu labirinto de memórias
para que lá não mais saísse?
Pouco me importa saber a minha causa mortis
Sei tudo que me mata!
Quero descobrir só
o que me faz viver...
(Wania)

