Chegada da Alegria – Madu Lopes
Minha memória é um circo,
eu monto e desmonto quando quero.
Muitas vezes fui dançarina,
coreografia, luzes, purpurina...
Outras, sozinha no picadeiro
Sem som, sem refletor
Eu, única platéia pra minha imensa dor.
Já fui palhaço a re[ve]lia,
grande sorriso pintado
que com o dentro não condizia.
Já fui mágico aclamado,
ilusões, coelhos e sonhos muito tirei da cartola,
mas nenhuma carta na manga escondia.
Domei e fui domada
depois de ser, por muita fera, atacada.
Da corda bamba então, o medo até já supero
Foi tanto tombo que nem mais enumero.
E quando ainda ouço
Hoje tem marmelada?
Respondo: tem sim senhor,
pois nesta minha vida circense
equilibrei bem mais alegria que dissabor!
(Wania)


