By Meluseena on deviantART
"Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.
Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão.
Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.
A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.
Respeitarei os segredos a mim confiados.
Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão
médica.
Meus colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.
Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção.
Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.
Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra."
(Juramento de Hipócrates, pai da Medicina)
Quando jurei isso para mim mesma
Aliei-me a Vida
E me indispus com a Morte
Dura batalha travo todos os dias
A Vida é moça faceira
Traços bem feitos
Confiante, empolgada
Sorriso estampado no rosto
Rosada e de olhar brilhante
A morte é mais velha
Igualmente bela
Tem o olhar enviesado
Amassa o canto da boca
Em um trejeito desajeitado
A passos miúdos, claudica.
Todos os dias
As portas se abrem
E se fecham
Para as Vidas
Chega outra Vida ligeira
Tem pressa
Tem todo ar a seu dispor
Mas nada lhe basta a fome
Tem um olhar cristalino
Que agora se turva de dor
Tem um coração pulsante
Que agora se atrapalha na dança
Tem mãos cavadoras de sonhos
Que agora soltam as pás
Tem um corpo que lhe alicerça a essência
Que agora não se firma nas fundações
Tem uma chama que brilha acesa
Que agora se diminui no infinito
Eu corro
Eu penso
Eu rezo
Eu ajo
Eu faço
Eu peço
Eu divido
Eu sinto
Eu tento
Eu repito
Eu repito
Eu repito tudo
Eu não consigo
Eu não consigo
Eu não consigo
E a vida me escorre das mãos
Feito água que corre para o ralo
Por mais rápida que eu seja
Ela escorrega e se vai
Vai-se
E vai
Eu paro
Eu calo
Eu sinto
Nestas horas eu me sinto rasa
Nestas horas eu me sinto pouca
Nestas horas eu me sinto oca
Então, a Morte chega de soslaio
[ela nunca sai de perto]
Só escuto aquele seu andar inconfundível
E ela arranca tudo sem dó nem piedade
Parte sorrateira
Com aquele seu sorrisinho vitorioso
Eu procuro um canto
E, sozinha, choro
[a Morte sempre me faz chorar]
A Vida chega
Senta do meu lado
E chora comigo
[a Vida sempre me dá coragem para continuar]
Eu penso no mundo
Eu penso nos que ficaram
Nos que partiram
Nos meus
Eu penso em mim
Eu penso em Deus
Nesta hora eu me sinto humana
Nesta hora eu me sinto em paz
Eu seco as lágrimas
Eu arregaço as mangas
Eu volto para a guerra
Eu volto
[eu juro]
(Wania)

