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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

VID[A MOR]TE

By Meluseena on deviantART


"Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.
Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão.
Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.
A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.
Respeitarei os segredos a mim confiados.
Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão
médica.
Meus colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.
Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção.
Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.
Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra."

(Juramento de Hipócrates, pai da Medicina)


Quando jurei isso para mim mesma

Aliei-me a Vida

E me indispus com a Morte

Dura batalha travo todos os dias


A Vida é moça faceira

Traços bem feitos

Confiante, empolgada

Sorriso estampado no rosto

Rosada e de olhar brilhante

A morte é mais velha

Igualmente bela

Tem o olhar enviesado

Amassa o canto da boca

Em um trejeito desajeitado

A passos miúdos, claudica.


Todos os dias

As portas se abrem

E se fecham

Para as Vidas


Chega outra Vida ligeira

Tem pressa

Tem todo ar a seu dispor

Mas nada lhe basta a fome

Tem um olhar cristalino

Que agora se turva de dor

Tem um coração pulsante

Que agora se atrapalha na dança

Tem mãos cavadoras de sonhos

Que agora soltam as pás

Tem um corpo que lhe alicerça a essência

Que agora não se firma nas fundações

Tem uma chama que brilha acesa

Que agora se diminui no infinito


Eu corro

Eu penso

Eu rezo

Eu ajo

Eu faço

Eu peço

Eu divido

Eu sinto

Eu tento

Eu repito

Eu repito

Eu repito tudo

Eu não consigo

Eu não consigo

Eu não consigo

E a vida me escorre das mãos

Feito água que corre para o ralo

Por mais rápida que eu seja

Ela escorrega e se vai

Vai-se

E vai


Eu paro

Eu calo

Eu sinto


Nestas horas eu me sinto rasa

Nestas horas eu me sinto pouca

Nestas horas eu me sinto oca


Então, a Morte chega de soslaio

[ela nunca sai de perto]

Só escuto aquele seu andar inconfundível

E ela arranca tudo sem dó nem piedade

Parte sorrateira

Com aquele seu sorrisinho vitorioso


Eu procuro um canto

E, sozinha, choro

[a Morte sempre me faz chorar]

A Vida chega

Senta do meu lado

E chora comigo

[a Vida sempre me dá coragem para continuar]


Eu penso no mundo

Eu penso nos que ficaram

Nos que partiram

Nos meus

Eu penso em mim

Eu penso em Deus


Nesta hora eu me sinto humana

Nesta hora eu me sinto em paz

Eu seco as lágrimas

Eu arregaço as mangas

Eu volto para a guerra

Eu volto

[eu juro]


(Wania)


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

DESenganada...


Sempre fui avessa a agulhas e linhas

Suturo pele,

mas não faço bainha


Sempre fui avessa a grandes noitadas

Trabalho na madrugada,

mas durmo sozinha


Sempre fui avessa a sofrer por amor

Alivio dores,

mas não encontro a cura para as minhas


(Wania)




Trabalho artístico do meu querido amigo Tonho do Pô ética

AmorTECEdores

que tem uma relação direta com este meu poema.

Obrigada por enriquecer o meu post!