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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Menino do rio...


Para um menino...


Era um menino calado

com os olhos verdes

e a Alma madura

As palavras escassas da boca

brotavam em profusão

das pontas dos dedos.

Nos milhos dos campos

matava a fome do corpo

E nas ramadas de vinha

saciava a sede de Vida

Das cátedras

Abasteceu-se de conhecimento

E das águas do rio fez ninho

Que volta a cada fevereiro

Para mergulhar no passado

E pescar seus sonhos

de menino

de filho

de homem

Do pai carrega infinitas cicatrizes

Marcas indeléveis

na sua lembrança

e na couraça

que lhe reveste a essência

Revive estes sentimentos

em cada centímetro

De pele e de chão percorridos

Naquelas manhãs Lilases-azuladas

que o Altíssimo aquarelava

somente para emoldurar

o encontro dos dois.

Pai, homem rico de saberes

Soube forjar o ferro bruto

Que recebeu das mãos de Deus

Em peça única

E assoprou-lhe um coração

Maior que o dele

onde o preencheu

de toda a sensibilidade

que soube colher

nas vinhas e vindas

de sua pesada senda

para que o menino pudesse

por ele mesmo

germinar todas as sementes

pelo Pai plantadas

E homem se fez

Igualmente belo

Igualmente forte

Igualmente sensível

Igualmente cheio de saberes...


[O que nasce direito

Nunca se entorta]



(Wania)