Para um menino...
Era um menino calado
com os olhos verdes
e a Alma madura
As palavras escassas da boca
brotavam em profusão
das pontas dos dedos.
Nos milhos dos campos
matava a fome do corpo
E nas ramadas de vinha
saciava a sede de Vida
Das cátedras
Abasteceu-se de conhecimento
E das águas do rio fez ninho
Que volta a cada fevereiro
Para mergulhar no passado
E pescar seus sonhos
de menino
de filho
de homem
Do pai carrega infinitas cicatrizes
Marcas indeléveis
na sua lembrança
e na couraça
que lhe reveste a essência
Revive estes sentimentos
em cada centímetro
De pele e de chão percorridos
Naquelas manhãs Lilases-azuladas
que o Altíssimo aquarelava
somente para emoldurar
o encontro dos dois.
Pai, homem rico de saberes
Soube forjar o ferro bruto
Que recebeu das mãos de Deus
Em peça única
E assoprou-lhe um coração
Maior que o dele
onde o preencheu
de toda a sensibilidade
que soube colher
nas vinhas e vindas
de sua pesada senda
para que o menino pudesse
por ele mesmo
germinar todas as sementes
pelo Pai plantadas
E homem se fez
Igualmente belo
Igualmente forte
Igualmente sensível
Igualmente cheio de saberes...
[O que nasce direito
Nunca se entorta]
(Wania)