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domingo, 16 de outubro de 2011

Receitinha caseira...





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Dor de ouvido,

Prurido,

Nariz entupido,

Tudo, nos outros,

Eu curo



E o meu coração partido?


No armário do banheiro,

Tem ME[r]CUR[i]O



(Wania)







terça-feira, 30 de março de 2010

Dos Moinhos, das Dulcinéias e dos Quixotes...



Quem me dera ser Dulcinéia...

Vestes de camponesa

Títulos de nobreza

Dona de toda beleza

Que roubou da natureza


Que me dera ser Dulcinéia...

Do cristal, delicadeza

Das pedras, fortaleza

Das águas, toda pureza

Dos pássaros, só a leveza

Do sol, brilho e clareza

E das flores, a boniteza


Quem me dera ser Dulcinéia...

Por ser toda esperteza

Moldou-se com muita justeza

Da lama, alguma vileza

Da neve, muita frieza

Do vento, a ligeireza

Das tempestades, a brabeza


Quem me dera ser Dulcinéia...

Que nunca se entregou sem defesa

A qualquer Quixote que seja

Nunca teve o coração machucado, sua maior riqueza

Nem viveu na incerteza, sua grande fraqueza

E dos seus moinhos de ventos?

Destes, sempre venceu com largueza


Quem me dera ser Dulcinéia...

Nunca saberia o que é tristeza

Quem me dera...


(Wania)



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mulher de pescador...



Parte o barco

Parte-se coração

[Ela o conhece tanto quanto o mar]



*É urgente o amor
É urgente um barco no mar.



Dos grãos de areia,

Rosários de proteção

Das conchas,

Vento não tem tradução

Seu corpo,

Um cais deixado em vão



*Assim é o amor: mortal e navegável.



Ele sempre volta

[ela o conhece tanto quanto o mar]

De dentro puxa pesada corda

Descansa a rede na areia

Não tira peixes, nem sonhos

Só uma faca, sem fio, prateia



*— eu sei que são as mãos de um homem,
trêmulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.



Falseia esperança

Então, ela se faz sereia

[ela o conhece tanto quanto o mar]

Canta o silêncio para lhe encantar

E o desejo o desnorteia



*Música, levai-me:

Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?



Ela solta-lhe as amarras

Arrasta-lhe

Em mergulho profundo

Afoga sem medo, seus medos

E dos beijos, arranca os segredos

[ela o conhece tanto quanto o mar]



*Despe-te
não há outro caminho.



Suas águas,

Plâncton fecundo

Lá, ele ancora seu mundo

e só depois, dorme um sono profundo


(Wania)



(*) as partes do texto em itálico

são excertos da poesia de Eugénio de Andrade