sexta-feira, 27 de novembro de 2009

À pincel...




As fadas voavam

De um lado para outro

Em cochichos risonhos

Balançando suas asas purpurinadas

As ninfas emergiam das águas

Vestidas de algas e galas

E os gnomos espiavam das frestas


[meu babel]


Todos trabalhavam sem cessar para

Enfeitar aquele imenso salão azul


[meu céu]


Recortavam luas e sóis das nuvens

E teciam guirlandas de estrelas

Em caudas de cometas


[meu cordel]


Acarpetavam de pétalas o chão

E enchiam os lampiões de vaga-lumes

Que iluminariam a trilha dos sonhos

Por onde Ele a conduziria naquela noite


[meu Menestrel]


Adornavam os cabelos dela

Com os cristais da chuva

E das ondas do mar,

Faziam-lhe rodadas saias

Adoçavam o sal das águas

E lhe molhavam os lábios

Que mais tarde seria

Sorvido pelo desejo dele


[meu mel]


Se ele viria ou não

Nem as Fadas

Nem as Ninfas

Nem os Gnomos

Nem Ela sabia

Só o Tempo

Só Tempo sabia a resposta

Só Tempo decidiria

Só o Tempo

Ele é o guardião de todas as portas

Só o Tempo


[meu fel]




(Wania)

Ilustração Fairy by Piotr18Wch on DeviantART

Música “Only Time” - Enya



terça-feira, 24 de novembro de 2009

Morena tá na janela...

“Estrelário de Sofia” tela de Madu Lopes



A morena tá na janela

Só vento assobia pra ela

Olhar de sentinela

O coração reza em capela


A morena tá na janela

E a vida passa paralela

Para os outros nada revela

Mas uma ferida sangra nela


A morena tá na janela

Cansada da vida dela

Por fora alegria singela

Por dentro a tristeza gela


Morena sai da janela

Teu amor voou nas caravelas

Chegou à cidadela

E abriu a porta da cela


Morena fecha a janela

Desencastela

Teu amor chegou

Entrou no teu coração e passou a tramela


(Wania)


Que delícia é ter amigos

que escrevem maravilhosamente bem

até nos comentários.

Deixo aqui o registro do final

que a minha querida amiga e poeta Ùrsula

do “Sempre Poesia” me escreveu.

Um blog tão delicado, lindo e sensível

como as asas de uma borboleta!


Morena na janela
Espreita a lua amarela
Pinta sonhos numa tela
Desenha sua própria aquarela


E transcrevo tb o poema,

tão belo quanto os versos da Úrsula,

que o meu doce amigo e poeta Mário Lopes

deixou gravado para mim


Como os barcos penetram o silêncio da noite
ou rompem as águas da ternura,
como aves deslumbradas por arderem no ar
ou por serem a matéria mais próxima dos sonhos,
como abelhas desorientadas
na última e doce luz do dia,
É que bebo todo mel
ou todo o oiro da tarde
que escorre do teu olhar,
morena que estás à janela
e que sempre esperaste por mim.


Amei cada trechinho,

Enriqueceram a mim e ao meu post...

Obrigada de coração

Por todo este carinho compartilhado!