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terça-feira, 30 de março de 2010

Dos Moinhos, das Dulcinéias e dos Quixotes...



Quem me dera ser Dulcinéia...

Vestes de camponesa

Títulos de nobreza

Dona de toda beleza

Que roubou da natureza


Que me dera ser Dulcinéia...

Do cristal, delicadeza

Das pedras, fortaleza

Das águas, toda pureza

Dos pássaros, só a leveza

Do sol, brilho e clareza

E das flores, a boniteza


Quem me dera ser Dulcinéia...

Por ser toda esperteza

Moldou-se com muita justeza

Da lama, alguma vileza

Da neve, muita frieza

Do vento, a ligeireza

Das tempestades, a brabeza


Quem me dera ser Dulcinéia...

Que nunca se entregou sem defesa

A qualquer Quixote que seja

Nunca teve o coração machucado, sua maior riqueza

Nem viveu na incerteza, sua grande fraqueza

E dos seus moinhos de ventos?

Destes, sempre venceu com largueza


Quem me dera ser Dulcinéia...

Nunca saberia o que é tristeza

Quem me dera...


(Wania)