segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Blogagem Coletiva "Abre Aspas"

(Love note by Aliize on Deviant ART)



Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

(Bilhete de Mário Quintana)


Difícil escolher um poema, entre tantos poetas que eu admiro e gosto, para participar desta Blogagem Coletiva, promovida pela Lunna do Teorias Impossíveis, mas garimpei este, que é um dos meus preferidos!


Por uma Blogosfera mais poética...


Não poderia deixar de mencionar aqui a homenagem que recebi da minha doce amiga Maria Augusta do Côté cour, Côté jardin que escolheu a minha poesia para postar neste dia e que hoje, bem cedinho, tive o prazer de ler!

Amiga, agradeço do fundo da minha Alma todo este carinho. Muito honrada em ser escolhida por ti, uma pessoa dotada de uma imensa sensibilidade poética em tudo que faz e reparte conosco lá no seu cantinho.

Obrigada à Lunna pela oportunidade e à Maria Augusta pela homenagem!


domingo, 8 de novembro de 2009

Figos cristalizados...





Ela faz doce de figo

despeja a tristeza e as frutas

todas no tacho

Raspa a colher de pau em círculos

Com a delicadeza de quem afaga

Voltas e voltas

também dá seu pensamento

o vapor quente que se desprende

é névoa fina embaçando a realidade

no movimento lento

lembra dos corpos fundidos

nas tardes mornas daquele novembro

perfeitas engrenagens

azeitadas em suor e saliva

aumenta o fogo

incendeiam-se

a pele nunca queima

acelera o ritmo

apura o doce

o aroma da fruta se desprende

seu cheiro a beija em silêncio

seus olhos a descascam inteira

sua boca faz trilha nos montes

suas mãos juram-se no infinito

o ponto final se aproxima

mexe o tacho com mais força e rapidez

mais e mais e mais

derretem-se em um só

transbordando-se pelas bordas

apaga o fogo

esfria o tacho

apronta o doce

em finos cristais de açúcar

passa cada figo

cada lembrança

cada arrepio

cada beijo

cada jura

passa também seu coração

cristalizando tudo

nos doces vidros da memória

(Wania)