Faz muito frio aqui fora...
Boina de neve sobre o telhado.
Vidraça, calor de dentro.
Lareira, fogo sempre acesso.
Bato à porta!
Ele me conquistou pela insistência.
Quando me vi dentro, eu mesma corri e tranquei a porta.
Percorri todos os seus cômodos.
Na cozinha ele é mesa sempre posta.
Café bebido em pé, mas o carinho senta.
Ele, pão sovado recém saído do forno; eu, sempre margarina.
Carimba minha bochecha com seu bigode de leite quente.
Levo esta marca pro resto do meu dia. Água não tira.
Mexi em todas as suas prateleiras.
Sujei a louça inteira.
Me servi nas suas baixelas.
Lustrei a prataria.
Coloquei o faqueiro em uso.
Tirei o fio de suas facas. Lambi todas as colheres
Quarei as toalhas de linho.
No quarto ele é cama desarrumada.
Sono intranqüilo, saldo do dia.
Seu ressonar me diz as horas. Me aconchego no seu cansaço.
Corta meus pesadelos com a tesoura do seu abraço.
Me ama sempre como quem volta do exílio.
Seus beijos são as cartas de amor escritas que não chegaram.
Quando acorda, abre a cortina dos meus cabelos e escreve bom dia com a língua na minha nuca.
Desperto travesseiro de plumas.
Puxa os lençóis e me cobre de sol.
Na sala é sofá de 5 lugares. Casa sempre aberta.
Porta sem tranca. Capacho gasto.
Jogo na tv, vermelho sangue nas veias, ignorando a realeza.
É de poucas manias. Às vezes, plagio algum de seus hábitos para lembrá-lo na ausência.
Usa o cinto dois furos além do necessário. Se o amor tem pressa, atrapalha.
Faz da boca um til quando algo o desagrada.
Quando diminui o meu nome pra me chamar sei que não vem coisa boa.
Na hora de decidir é pêndulo de relógio.
Quando a felicidade engata o braço, teme o que ficará para trás.
Quando fica sozinho, teme o que virá pela frente.
(Wania)
Como são compridos os domingos!
Um dia gordo, cansado, esborrachado no sofá...
Coitado, ele não tem culpa,
não tem nada melhor para fazer...
até a Segunda consegue superá-lo!
Ela magrinha, ágil, ligeira... acho que hiperativa desde pequena!
A Terça é dona de si, gastadeira, cuida do corpo e da alma.
A Quarta é séria, trabalhadora, organiza as finanças, não dá passo em falso!
A Quinta é generosa, decidida, sabe onde vai e onde quer chegar.
A Sexta é namoradeira, pula da cama, sorriso na cara, saia curta, batom vermelho.
O Sábado é caseiro, arrasta o chinelo, cuida do jardim , lê e sesteia.
Acho que vou inscrever o Domingo numa academia, propor-lhe dieta e levá-lo ao parque.
Quem sabe não encontra uns amigos e sai desta pasmaceira...
(Wania)

