sábado, 9 de maio de 2009

Toc - toc - toc...


Faz muito frio aqui fora...

Boina de neve sobre o telhado.

Vidraça, calor de dentro.

Lareira, fogo sempre acesso.

Bato à porta!


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pretérito-nem-tão-perfeito...

Ele me conquistou pela insistência.

Quando me vi dentro, eu mesma corri e tranquei a porta.

Percorri todos os seus cômodos.

Na cozinha ele é mesa sempre posta.

Café bebido em pé, mas o carinho senta.

Ele, pão sovado recém saído do forno; eu, sempre margarina.

Carimba minha bochecha com seu bigode de leite quente.

Levo esta marca pro resto do meu dia. Água não tira.

Mexi em todas as suas prateleiras.

Sujei a louça inteira.

Me servi nas suas baixelas.

Lustrei a prataria.

Coloquei o faqueiro em uso.

Tirei o fio de suas facas. Lambi todas as colheres

Quarei as toalhas de linho.

No quarto ele é cama desarrumada.

Sono intranqüilo, saldo do dia.

Seu ressonar me diz as horas. Me aconchego no seu cansaço.

Corta meus pesadelos com a tesoura do seu abraço.

Me ama sempre como quem volta do exílio.

Seus beijos são as cartas de amor escritas que não chegaram.

Quando acorda, abre a cortina dos meus cabelos e escreve bom dia com a língua na minha nuca.

Desperto travesseiro de plumas.

Puxa os lençóis e me cobre de sol.

Na sala é sofá de 5 lugares. Casa sempre aberta.

Porta sem tranca. Capacho gasto.

Jogo na tv, vermelho sangue nas veias, ignorando a realeza.

É de poucas manias. Às vezes, plagio algum de seus hábitos para lembrá-lo na ausência.

Usa o cinto dois furos além do necessário. Se o amor tem pressa, atrapalha.

Faz da boca um til quando algo o desagrada.

Quando diminui o meu nome pra me chamar sei que não vem coisa boa.

Na hora de decidir é pêndulo de relógio.

Quando a felicidade engata o braço, teme o que ficará para trás.

Quando fica sozinho, teme o que virá pela frente.


(Wania)



As frases da minha lua...


"A indiferença é a maneira mais polida
de desprezar alguém."



Mário Quintana

domingo, 3 de maio de 2009

Domingos...

Como são compridos os domingos!

Um dia gordo, cansado, esborrachado no sofá...

Coitado, ele não tem culpa,

não tem nada melhor para fazer...

até a Segunda consegue superá-lo!

Ela magrinha, ágil, ligeira... acho que hiperativa desde pequena!

A Terça é dona de si, gastadeira, cuida do corpo e da alma.

A Quarta é séria, trabalhadora, organiza as finanças, não dá passo em falso!

A Quinta é generosa, decidida, sabe onde vai e onde quer chegar.

A Sexta é namoradeira, pula da cama, sorriso na cara, saia curta, batom vermelho.

O Sábado é caseiro, arrasta o chinelo, cuida do jardim , lê e sesteia.

Acho que vou inscrever o Domingo numa academia, propor-lhe dieta e levá-lo ao parque.

Quem sabe não encontra uns amigos e sai desta pasmaceira...


(Wania)





sábado, 2 de maio de 2009

Ausência...


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade


sexta-feira, 1 de maio de 2009

MARTE!


Asas de um anjo, mas raízes nos pés.
Nasceu do pó das estrelas...
Pai, sol e mãe, “luna”.
O céu é o seu chão...
Seu mundo gira nas órbitas elípticas do sitema solar.
Corre sobre as estrelas com fôlego de um cometa!
Tem os ouvidos afinados pelo sons do vento, repertório galáxico.
Desconhece o lugar de Deus, mas alberga uma via-láctea de afetos.
Pensa que a poesia habita em outra galáxia,
mas traz versos ainda não traduzidos impressos no seu coração!
Na vastidão do Universo, sente-se só!
Em alguma Nebulosa ... marcou um encontro com Vênus.
Agora estão os dois fiando nuvens, trocando asas e tecendo sonhos!

(Wania)